Comunicação, memória, democracia e cultura preencheram o sábado do Erasmus Campus, antes de o domingo ser dedicado à apresentação dos projetos desenvolvidos pelos jovens ao longo dos quatro dias. Pelo meio, houve uma visita à Adega de Portalegre, momentos culturais e as últimas sessões de mentoria do Laboratório de Ideias.

O sábado começou fora da sala, com uma visita à Adega de Portalegre, onde os participantes ficaram a conhecer as vinhas e o processo de produção do vinho. À tarde, o programa regressou às sessões temáticas, começando pela sessão «Media e Comunicação Inclusiva», com Gonçalo Osório de Castro, host do programa «Demissão Impossível», da Antena 3, e mentor neste campus, e Víctor Hugo Mendes, jornalista e escritor.

A memória dos 50 anos de Abril foi depois o ponto de partida para pensar quem teve — e quem continua a ter — voz e espaço de participação. Irene Pimentel conduziu uma conversa sobre «As e os invisíveis da História», abordando as mulheres, os povos coloniais, os pobres e aqueles que foram alvo da Censura durante a ditadura de Salazar e Caetano. Seguiu-se uma conversa com Bernardo Branco, da MyPolis, organização que trabalha para aproximar os jovens dos seus representantes políticos e promover uma democracia com espaço para todas as pessoas. A partir do trabalho desenvolvido pela organização, os participantes refletiram sobre formas de participação e de aproximação dos jovens à vida democrática.

Já à noite, o programa prosseguiu com uma atuação dos Bombos d’Arraia, projeto de percussão tradicional e contemporânea da Sociedade Musical Euterpe, de Portalegre. Seguiu-se uma sessão dedicada à inclusão e diversidade na cultura, com Manuel Assunção e Maria Ceia, da Academia Internacional de Marvão para a Música, Artes e Ciências, e Cecília Sousa, do projeto «Landscapes – Successful practices between art and Education»

 

Em paralelo, aproximava-se o momento de concretizar o trabalho desenvolvido desde o primeiro dia. Ao longo do Campus, os 30 jovens estiveram divididos em cinco grupos, acompanhados por mentores, com um desafio comum: responder à pergunta «Como podemos tornar as nossas comunidades mais inclusivas, participativas e abertas à diversidade?». No sábado, foi tempo de afinar as propostas e preparar a sua apresentação.

Cinco projetos para responder a problemas concretos

No domingo de manhã, os grupos trabalharam com os mentores na preparação dos pitches e apresentaram os cinco projetos desenvolvidos no Laboratório de Ideias. As propostas partiram de problemas diferentes, mas procuraram todas traduzir os temas da inclusão e da diversidade em respostas concretas.

The ERAsmus Tour propõe levar informação sobre o programa Erasmus e os seus apoios financeiros diretamente aos jovens, com especial atenção aos estudantes mais desfavorecidos e aos que vivem no interior e nas ilhas. A ideia passa pela realização de uma tour nacional e pela partilha de informação sobre as oportunidades existentes, procurando aumentar a diversidade territorial dos participantes e reduzir barreiras económicas e de informação no acesso ao Erasmus.

SENDA nasceu da identificação de outro obstáculo: a informação dispersa sobre os custos e os apoios disponíveis para quem pretende ingressar no ensino superior. O grupo propôs a criação de um simulador interativo, gamificado e personalizado que reúna essa informação e permita aos estudantes antecipar os custos e apoios associados a diferentes percursos no ensino superior. A proposta dirige-se sobretudo a alunos do ensino secundário e do primeiro ciclo do ensino superior.

Pré-Erasmus procura responder ao medo, à insegurança e à falta de informação que podem constituir barreiras à participação no Erasmus+. Dirigido a candidatos e interessados no programa, prevê a criação de uma rede que aproxime candidatos e antigos beneficiários, com momentos informais de interação, partilha de experiências e um sistema de buddy com alunos que já realizaram uma mobilidade.

InterGeração+ cruza duas realidades: o isolamento da população idosa e as necessidades de alojamento dos estudantes Erasmus. A proposta pretende aproximar jovens em mobilidade e pessoas idosas, promovendo soluções de alojamento e, simultaneamente, momentos de convívio e apoio intergeracional. Entre os impactos esperados estão a melhoria da qualidade de vida das pessoas mais velhas e o reforço do diálogo entre gerações.

As apresentações foram seguidas pelo feedback do júri e pela sessão de encerramento, com Maria Inácia Rezola, Comissária para as Comemorações dos 50 Anos do 25 de Abril, Cristina Perdigão, Vice-Presidente do Instituto para o Ensino Superior, I. P., e Luís Vitorino, Presidente da Câmara Municipal de Marvão.

A quarta edição do Erasmus Campus chegou assim ao fim com as propostas desenhadas pelos próprios participantes, depois de quatro dias em que a inclusão e a diversidade foram abordadas a partir de diferentes áreas — da democracia à educação, da participação dos jovens à cultura, passando pela integração europeia e pela comunicação — e transformadas num desafio concreto de trabalho coletivo.

 

Fotos do Erasmus Campus 2026:

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