O segundo dia do Erasmus Campus – O Bootcamp da Inclusão e Diversidade levou os participantes à vila de Marvão, num programa dedicado à democracia, à integração europeia, à educação e à participação dos jovens.

Ao longo do dia, as diferentes sessões voltaram a assumir o formato de conversas abertas, com uma forte participação dos 30 jovens que integram esta quarta edição do Campus. Perguntas, comentários e experiências dos participantes foram o ponto de partida para discutir algumas das barreiras que ainda condicionam a participação plena na sociedade.

A manhã começou com Luísa Neto, Provedora de Justiça, e uma pergunta aparentemente simples: «O que é o Estado?». As respostas dos jovens abriram caminho a uma conversa sobre as diferentes dimensões da democracia e as formas de participação na vida pública.

Luísa Neto lembrou que a democracia portuguesa não se esgota na sua dimensão política, abrangendo também as dimensões económica, social, cultural e participativa. E mesmo no plano político, sublinhou, a participação vai além da escolha de representantes, concretizando-se também no acesso a cargos públicos, na liberdade de associação, no direito de petição e na ação popular.

A inclusão atravessou igualmente a conversa. Para a Provedora de Justiça, não deve ser encarada apenas como uma resposta a problemas do presente, mas como um princípio capaz de se projetar no futuro: uma obrigação do Estado democrático que deve irradiar para toda a sociedade e estar no centro do contrato social.

A Europa esteve depois em debate na sessão «40 anos de Portugal na União Europeia – Prioridades para a Europa», com Alfredo Sousa de Jesus, Chefe do Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, e António Costa Pinto, cientista político e historiador. Com percursos ligados às instituições europeias e ao estudo da democracia e da integração europeia, os dois oradores trouxeram diferentes perspetivas sobre quatro décadas de participação portuguesa no projeto europeu e os desafios que a Europa enfrenta atualmente. 

Ainda durante a manhã, Cristina Albuquerque, Vice-Reitora da Universidade de Coimbra, Diogo Costa Ferreira, Gestor de Projetos do Agrupamento de Escolas a Sudoeste de Odivelas, ligado ao projeto «Incluir para humanizar», e Pedro Almeida, Presidente da Erasmus Student Network Portugal e mentor neste campus, participaram numa conversa dedicada à inclusão e diversidade na educação. Também aqui, a sessão foi construída em diálogo com os jovens, cruzando diferentes experiências e perspetivas sobre os obstáculos à inclusão nos contextos educativos.

À tarde, o Campus saiu da Quinta dos Olhos d’Água para uma visita guiada à vila de Marvão. Foi também em Marvão que decorreu a sessão «Como trazer os jovens para a discussão?», com Francisco Garcia, Presidente do Conselho Nacional de Juventude, e João Pedro Louro, Deputado à Assembleia da República. 

Francisco Garcia chamou a atenção para a necessidade de chegar aos jovens que não se reveem nos espaços tradicionais de participação ou sentem que não têm condições para neles intervir. Defendeu a importância de investir na capacitação dos jovens, criando oportunidades para desenvolverem e gerirem os seus próprios projetos e para saírem das suas «bolhas», apontando programas como o Erasmus+ como instrumentos que podem contribuir para esse objetivo.

João Pedro Louro trouxe para a conversa a reduzida presença de jovens nos espaços de decisão política e questionou a ideia de que essa ausência resulta simplesmente de falta de vontade de participar. O debate centrou-se, assim, nas barreiras que afastam os jovens da participação política e nas formas de as ultrapassar.

A dimensão europeia voltou a estar presente no final da tarde, com Carlos Coelho, Comissário para as Comemorações do 40.º Aniversário da Adesão de Portugal às Comunidades Europeias, numa sessão dedicada aos «40 Anos de Integração e Cooperação» de Portugal no projeto europeu. 

Mas o segundo dia do Campus não se fez apenas de debates. A passagem por Marvão incluiu uma visita à vila e um momento de Cante Alentejano no Jardim do Castelo. Já de regresso à Quinta dos Olhos d’Água, o programa contou ainda com um momento dedicado à Academia Internacional de Marvão para a Música, Artes e Ciências. 

E as questões levantadas ao longo das sessões continuam a alimentar o Laboratório de Ideias. Depois do lançamento do desafio no primeiro dia, os cinco grupos entraram agora na fase de brainstorming: identificar problemas concretos, reunir ideias e escolher a proposta que querem desenvolver. Na sessão de mentoria que encerrou o dia, começaram a estruturar os projetos que irão apresentar no domingo. O desafio mantém-se: «Como podemos tornar as nossas comunidades mais inclusivas, participativas e abertas à diversidade?». 

Nos próximos dias, o trabalho continua, entre novas conversas, novas perguntas e o desenvolvimento das propostas que os participantes terão de transformar em projetos concretos.